Madame Yevonde e o
Processo de Cor: Vivex
5 Junho | 17h00 | Por Sir
Lawrence Hole
A Idade de Ouro da
Fotografia a Cores 1930 -
1940
Há imagens de todos os
tipos, de todas as eras; as primeiríssimas fotografias de Cecil
Beaton, os hilariantes vegetais de Graham Sutherland, os
maravilhosos Contos de Grimm de David Hockney,
e uma criação de Madame Yevonde, a imagem, tão
deslumbrante como incongruente, de uma mulher nua que faz um enorme
véu de gaze numa velha máquina de coser
manual.
Paula Rego, in catálogo My
Choice
No âmbito da exposição
My Choice - Obras seleccionadas por Paula Rego na
Colecção British Council, de onde se destaca um
importante núcleo de obras de Madame Yevonde, a Casa das Histórias
Paula Rego convidou Sir Lawrence Hole para falar sobre a artista e
a sua visão inovadora, a par do processo Vivex que durante a década
de 30 lhe permitiu desenvolver um trabalho experimental através da
exploração das possibilidades de manipulação dos pigmentos na
fotografia, produzindo imagens de uma beleza
impressionante.
Sir Lawrence Hole é o detentor
legal dos direitos de Madame Yevonde e do seu espólio artístico
através do Yevonde Portrait Archive. Tem
apresentado inúmeras palestras sobre a artista e é co-autor do
livro The Goddesses: Portraits by Madame
Yevonde.
Madame Yevonde. 1893 -
1975
Yevonde Cumbers nasceu em
Streatham e mudou de nome para Madame Yevonde quando montou o seu
estúdio de retratos em Victoria, Londres, onde fazia retratos
bastante diferentes do habitual, sentando as pessoas contra um
fundo escuro, com as caras iluminadas e ligeiramente afastadas da
câmara. No entanto, é conhecida sobretudo pela sua mestria no
processo Vivex. Este processo utilizava três discos para a
separação do ciano, magenta e amarelo, que eram processados
separadamente e reunidos depois na etapa de impressão, para
produzir uma imagem com uma paleta de cor completa. Este processo
usava pigmentos em vez de tinta e podia ser manipulado, tanto na
fase de exposição como na de impressão, permitindo obter cores
vibrantes, com uma densidade e riqueza impossíveis de alcançar por
outros processos fotográficos
da época. Os seus temas
variavam entre caprichosos retratos de aristocratas a posar como
deusas da mitologia clássica, como em Mrs. Anthony Eden como a Musa
da História (Mrs. Eden era mulher do então secretário dos negócios
estrangeiros, Anthony Eden) e fotografias de publicidade que podiam
ir das meias aos cremes de mãos. O processo criativo de Yevonde
durou apenas alguns anos. Em 1939, com o encerramento da fábrica
Colour Photographs Ltd., o processo Vivex
desapareceu.